PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO

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segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Paulo Freire é o terceiro pensador mais citado do mundo em universidades da área de humanas

(Foto: Divulgação)

"O educador, pedagogo e filósofo brasileiro Paulo Freire é considerado, mundo a fora, um dos mais notáveis pensadores da história da pedagogia. Patrono da educação brasileira, Freire é simplesmente o brasileiro mais homenageado em todos os tempos, com 29 títulos de Doutor Honoris Causa por universidades da Europa e da América, e centenas de outras menções e prêmios, como Educação pela Paz, da UNESCO, que Freire recebeu em 1986.

O criador da Pedagogia do Oprimido é citado em um impressionante título de reconhecimento: Paulo Freire é o terceiro pensador mais citado do mundo em universidades da área de humanas. O levantamento foi feito através do Google Scholar – ferramenta de pesquisa para literatura acadêmica – por Elliot Green, professor associado da London School of Economics. Segundo a pesquisa, Freire é citado 72.359 vezes, atrás somente do filósofo americano Thomas Kuhn (81.311) e do sociólogo, também americano, Everett Rogers (72.780). (...)

Paulo Freire é referência em países diversos pelo mundo, e sua teoria visa aproximar o conteúdo acadêmico da vida cotidiana dos estudantes, oferecendo a possibilidade de que estes se apropriassem de suas próprias educações. Para ele, estudar não era um ato de 'consumir ideias, mas sim de criá-las e recriá-las'."



Leia matéria na íntegra em https://www.hypeness.com.br/2016/06/paulo-freire-e-terceiro-teorico-mais-citado-em-trabalhos-academicos-no-mundo/?fbclid=IwAR2uazsYum6g89qMOwwka5WmaJV8ziiWShst2LG-GrZ6UPOaY4Co0modX58

Leia mais sobre o estudo de Green em http://blogs.lse.ac.uk/impactofsocialsciences/2016/05/12/what-are-the-most-cited-publications-in-the-social-sciences-according-to-google-scholar/

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

ALMG abre edital para artistas


A Assembleia Legislativa de Minas Gerais abre amanhã (01/11) edital para artistas visuais, músicos, artesãos, atores, comediantes, performers e dançarinos se apresentarem na casa em 2019. 
As inscrições são gratuitas e devem ser feitas até dia 9 no endereço eletrônico abaixo:


quarta-feira, 10 de outubro de 2018

"A retirada de direitos pela reforma trabalhista afeta, sobretudo, as mulheres"

“A reforma trabalhista revoga explicitamente aspectos importantes da CLT: a proibição do trabalho de gestantes em local insalubre, a regulação sobre a pausa para amamentação e a igualdade salarial. A pausa para amamentação, por exemplo, passa a ser de livre negociação com o empregador, mas coloca, no regramento, os interesses da empresa acima das recomendações da saúde”, afirmou Glaucia Fraccaro.

A historiadora é autora do livro “Os direitos das mulheres: feminismo e trabalho no Brasil (1917-1937)” Leia a entrevista na íntegra em: https://www.jota.info/tributos-e-empresas/trabalho/retirada-direitos-trabalhistas-mulheres-05102018



segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Com recursos próprios, UFMG apoia mestrados profissionais, doutorandos e docentes com perfil júnior

Doutoranda em laboratório do ICB: apoio financeiro à participação em missões técnicas Foto: Lucas Braga / UFMG

"A Pró-reitoria de Pós-graduação (PRPG) divulgou, nesta quinta-feira, dia 20, o resultado de chamadas de apoio financeiro a mestrados profissionais, a doutorandos e a docentes com perfil júnior. Ao todo, 80 propostas foram contempladas com recursos próprios da UFMG. Os valores previstos nos três editais chegam a R$ 250 mil.
O Programa de Apoio aos Mestrados Profissionais (Pamp) tem o objetivo de fomentar a presença de professores visitantes nos cursos dessa modalidade na UFMG, para missões de ensino e pesquisa de curta duração. Propostas de cinco cursos foram aprovadas, e dez docentes de outras instituições participarão de atividades na Universidade. (...)

Os programas surgem em um momento em que as atividades acadêmicas são fortemente impactadas pela retração de recursos. 'Mesmo com dificuldades orçamentárias, procuramos atender aos programas e pesquisadores com menos acesso a fontes de financiamento e que precisam de mais suporte para se consolidarem', afirma a pró-reitora adjunta de Pós-graduação, Silvia Alencar."
leia na íntegra em https://ufmg.br/comunicacao/noticias/programas-de-apoio-da-pos-graduacao-anunciam-resultados-de-chamadas

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Meteorito que sobreviveu ao incêndio no Museu Nacional foi tema de crônica de Machado de Assis


O meteorito Bendengó, um dos poucos itens que sobreviveu ao trágico incêndio ocorrido esta semana no Museu Nacional, já foi tema de uma crônica de Machado de Assis. No texto de 1888, que trazemos abaixo, o escritor cria a conversa do objeto com o chefe da expedição que o levaria ao Rio de Janeiro.

(Fonte: http://letterabrasilis.blogspot.com/2013/02/o-meteorito-de-bendego-no-brasil.html)


27 de maio de 1888 / Gazeta de Notícias 

BONS DIAS !       

Cumpre não perder de vista o meteorólito de Bendegó[1] . Enquanto toda a nação bailava e cantava, delirante de prazer pela grande lei da Abolição, o meteorólito de Bendegó vinha andando, vagaroso, silencioso e científico, ao lado do Carvalho[2].
– Carvalho, dizia ele provavelmente ao companheiro de jornada, que rumores são estes ao longe?
E ouvindo a explicação, não retorquira nada, e pode ser até que sorrisse, pois é natural que nas regiões donde veio, tivesse testemunhado muitos cativeiros e muitas abolições. Quem sabe lá o que vai pelos vastos intermúndios de Epicuro[3] e seus arrabaldes?
Vinha andando, vagaroso, silencioso, científico, ao lado do Carvalho.
-- Carvalho, perguntou ainda, falta muito para chegar ao Rio de Janeiro? Estou já aborrecido, não da sua companhia, mas da caminhada. Você sabe que nós, lá em cima, andamos com a velocidade de mil raios; aqui nestas ridículas estradas de ferro, a jornada é de matar. Mas espera, parece que estou vendo uma cidade...
 – É a Bahia, a capital da província.
 Chegaram à capital, onde um grupo de homens corria para uma casa, com ar espantado, preocupado, ou como melhor nome haja em fisionomia, que não tenho tempo de ir ao dicionário. Esses homens eram os vereadores. Iam reunir-se extraordinariamente, para saber se embargariam ou não a saída do meteorólito
Até então não trataram do negócio, por um princípio de respeito ao governo central. O governo central ordenara o transporte e as despesas; a Câmara Municipal, obediente, ficou esperando. Logo, porém, que o meteorólito chegou à capital, interveio outro princípio – o do direito provincial. Reuniu-se a Câmara e examinou o caso.
Parece que o debate foi longo e caloroso. Uns disseram provavelmente que o meteorólito, tendo caído na Bahia, era da Bahia; outros, que vindo do céu, era de todos os brasileiros. Tal foi a questão controversa. Compreende-se bem que era preciso resolver primeiro esse ponto, para entrar na questão de saber se os meteorólitos entravam na ordem das atribuições reservadas às províncias. O debate foi afinal resumido e o voto da maioria contrário ao embargo; apenas dois vereadores votaram por este, segundo anunciou um telegrama.
E o meteorólito foi chegando, vagaroso, silencioso, cientiífico, ao lado do Carvalho.
– Carvalho, disse ele, os que não quiserem embargar a minha saída são uns homens cruéis. Mas por que é que aqueles dois votaram pelo embargo?
 – Questão de federalismo[4]...
E o nosso amigo explicou o sentido desta palavra, e o movimento federalista que se está operando em alguns lugares do império. Mostrou-lhe até alguns projetos discutidos agora, para o fim de adotar a Constituição dos Estados Unidos, sem fazer questão do chefe de Estado, que pode ser presidente ou imperador...
 Aqui o meteorólito, sempre vagaroso e científico, piscou o olho ao Carvalho.
 – Carvalho, disse ele, eu não sou doutor constitucional nem de outra espécie, mas palavra que não entendo muito essa constituição dos Estados Unidos com um imperador...
 Cheio de comiseração, explicou-lhe o nosso amigo que as invenções constitucionais não eram para os beiços de um simples meteorólito; que a suposição de que o sistema dos Estados Unidos não comporta um chefe hereditário resulta de não atender à diferença do clima e outras. Ninguém se admira, por exemplo, de que lá se fale inglês e aqui português. Pois é a mesma coisa.
 Entretanto, confessou o nosso amigo que, por algumas cartas recebidas, sabia que o que está na boca de muitas pessoas é um rumor de república ou coisa que o valha, que esta idéia anda no ar...
 –Noire? Aussi blanche qu’une autre.
–Tiens ! Vous faites de calembours? [5]
 –Que queria você que eu fizesse, retorquiu o meteorólito, metido naquelas brenhas de onde você me foi arrancar? Mas vamos lá, explique-me isso pelo miúdo.
 E o nosso amigo não lhe ocultou nada; confiou-lhe que andam por aí ideias republicanas, e que há certas pessoas para quem o advento da República é certíssimo. Chegou a ler-lhe um artigo da Gazeta Nacional, em que se dizia que, se ela já estivesse estabelecida, acabada estaria há muitos anos a escravidão...
 Nisto o meteorólito interrompeu o companheiro, para dizer que as duas coisas não eram incompatíveis: porque ele antes de ser meteorólito fora general nos Estados Unidos – e general do Sul, por ocasião da Guerra de Secessão, e lembra-se bem que os Estados Confederados, quando redigiram a sua constituição, declararam no preâmbulo: “A escravidão é a base da Constituição dos Estados Confederados”[6]. Lembra-se também que o próprio Lincoln, quando subiu ao poder, declarou logo que não vinha abolir a escravidão...[7]
 –Mas é porque lá falam inglês, retorquiu o nosso amigo Carvalho; a questão é essa.
 O meteorólito ficou pensativo; daí a um instante:
 –Carvalho, que barulho é este?
 –É a visita do Portela, presidente da província.[8]
 –Vamos recebê-lo, acudiu o meteorólito, cada vez mais vagaroso.

[1] Referência a acontecimento que mobilizou e emocionou durante algum tempo a opinião pública e a imprensa, especialmente na cidade do Rio de Janeiro, para a qual deveria ser removido o meteorito, ou meteorólito,conhecido como  “de Bendegó”,  descoberto em 1784, no sertão da Bahia – remoção muito difícil,tanto que somente processada 102 anos depois, agora criando uma polêmica quanto ao “dono” do meteorito, se a União, o estado ou o município – o que refletia essencialmente um tema relevante,mormente naquele período de iminente transição entre um regime imperial e a já  ‘irreversível’  República : o federalismo , .o primeiro centralizador  do poder, o segundo preconizador da idéia da federação com (relativa) autonomia provincial..
[2] Comandante José Carlos de Carvalho, oficial da Armada,membro da  Sociedade Geográfica, chefe da expedição que trouxe o meteorito para o Museu Nacional. No Rio de Janeiro.
[3] Filósofo grego,que acreditava  na imortalidade dos  deuses.
[4] Com a iminência da República, a questão do federalismo já era  bastante discutida então.  Machado de certo modo se opunha  a ele  sistema, até porque era inerente ao novo regime contra o qual desde sempre foi  vigorosamente crítico : Machado sustentava que o federalismo essencialmente reforçaria o poder oligárquico inerente ao país (o Brasil como a “absolute Oligarchie- -- cf. o artigo publicado no  Rio-Post ,vd. cr. 230) uma vez dado poder às  províncias , estas dominadas pelas oligarquias (mesmo que ,por hipótese, tivesse sido implementado sob o Império, Machado mantinha,ou manteria, sua oposição pois federação e parlamentarismo lhe pareciam conceitos contraditórios (uma excrescência  como  “uma cobra casada com um rato”, diria em outra crônica – vd. cr. 235).
   . A visceral  rejeição de Machado  à República fora  definida certa feita, na Tribuna Liberal  : “Quanto às minhas opiniões políticas tenho duas,uma impossível outra realizada. A realizada é o sistema representativo e é sobretudo como brasileiro que me agrada essa opinião, e eu peço aos deuses (também creio nos deuses) que afastem do Brasil o sistema republicano porque esse seria o do nascimento da mais insolente aristocracia que o sol jamais alumiou(...)”.            
[5] Criativo  trocadilho bilíngüe de Machado , que faz  alusão ao temor disseminado nas elites de uma revolta de libertos inspirada na Republiquie Noire do Haiti –  e também a desdenha ( “tão branca quanto qualquer outra”).,
[6] O propósito de Machado é claramente demonstrar que ser republicano não implica em ser abolicionista, uma vez os sulistas nos Estados Unidos não terem lutado para mudar a forma de governo mas sim preservar a escravatura.(os denominados Estados Confederados eram uma república escravista). Em artigo de 25.08.1864 no jornal paulista Imprensa Acadêmica, exatamente durante a Guerra de Secessão norte-americana, Machado registrava: “(...)O general confederado Lee avança sobre Washington. Esta notícia desconcerta os partidários do Norte,parece que nada pode resistir aos planos del Grant, e sobretudo que não venha a triunfar a causa do Sul,isto é a causa da escravidão ! Causa da escravidão ! Até onde vai o alambicamento das palavras(...)”.
[7] O presidente norte-americano Abraham Lincoln somente durante a Guerra de Secessão promulgou a emancipação geral.

[8] Manuel do Nascimento Machado Portela, político conservador, nomeado em março 1888 presidente da Bahia.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Tese do Cedeplar estima valor do trabalho doméstico

Se fossem remuneradas, atividades do lar gerariam o equivalente a 10% do PIB nacional; mulheres são responsáveis por 85% dos afazeres

Ilustração: Marcelo Lustosa / UFMG

"Dos 23 até por volta dos 80 anos de idade, as mulheres brasileiras passam, em média, mais tempo realizando trabalho doméstico para outros membros da família do que para o seu próprio benefício. No caso dos lares mais pobres, a idade de 13 anos é o marco para que a mulher passe a ter esse consumo negativo em relação à sua produção. De modo oposto, os homens são sempre beneficiários das transferências de tempo, independentemente do seu nível de renda. 

Esses são alguns dos resultados da investigação empreendida pela demógrafa Jordana Cristina de Jesus, autora da tese de doutorado Trabalho doméstico não remunerado no Brasil: uma análise de produção, consumo e transferência, defendida em junho deste ano, no Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar) da UFMG.

A pesquisadora utilizou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de ­Domicílios (Pnad) de 2013 e de 2016. Na Pnad, a coleta de dados sobre trabalho doméstico é limitada ao número de horas dedicadas à manutenção da casa. Assim, o equivalente ao cuidado com crianças é subnotificado, afetando o cálculo das transferências de tempo. Para estimar as contas brasileiras, a pesquisadora combinou os dados da Pnad com as informações da pesquisa de uso do tempo da Colômbia, já que aquele país compartilha algumas características sociodemográficas, econômicas e culturais com o Brasil.

Partindo do pressuposto de que tempo é recurso, a intenção de Jordana foi estimar o quanto as pessoas transferem de tempo, dentro de casa, para outros indivíduos. 'É comum a reflexão sobre a transferência de renda, que ocorre quando você, por exemplo, paga a mensalidade  escolar. Mas a abordagem sobre a transferência de tempo, sem fluxo monetário, é recente na literatura. Ela se dá quando a pessoa dedica certo número de horas a tarefas como cozinhar, lavar roupas, botar lixo para fora ou pagar contas, das quais outras pessoas do domicílio vão se beneficiar', exemplifica a autora. 

De acordo com Jordana, um homem de 30 anos produz, em média, uma hora de trabalho doméstico ao longo do dia, enquanto uma mulher da mesma idade realiza quatro vezes mais. Esse índice varia conforme o nível de escolaridade – mas somente entre o público feminino. Segundo a autora, uma brasileira de 25 anos, com até três anos de escolaridade, gasta quase seis horas por dia com afazeres domésticos não remunerados. Aquelas que estudaram por mais de 12 anos fazem menos de duas horas diárias desse tipo de serviço. No caso dos homens, a quantidade de horas nunca varia. 'Em geral, o homem executa o serviço doméstico até, no máximo, a demanda de seu próprio consumo', pontua a autora."

terça-feira, 10 de julho de 2018

09 de julho: Dia da Luta Operária

Operários em um campo de petróleo, de Sebastião Salgado

A data de 9 de julho representa um marco para a luta organizada da classe operária brasileira. Neste dia, há 101 anos, o operário de origem espanhola José Martinez, sapateiro anarquista e sindicalista, foi morto pela polícia aos 21 anos, na porta de uma fábrica no Brás, em SP.

A revolta com a morte do operário se espalhou por outras cidades e acabou deflagrando a greve geral de 1917, primeira paralisação de caráter nacional no país. Desde o ano passado, a data foi oficializada como Dia da Luta Operária (Lei 16.634/2017).

Abaixo você confere a crônica A grève¹ da Cantareira, de Lima Barreto (1921)²: 

"Nesse negócio de grève dos marinheiros da Cantareira, toda a gente viu anarquismo, sindicalismo anárquico e outras coisas apavorantes para a Sociedade, para o Estado, etc., etc.

Pode ser que uma tal explicação seja cabível para outra qualquer parede³ que se dê por aí; mas para aí; mas para tal companhia de tartarugas, vulgo barcas de Niterói, não. 

Os habitantes de ambas as cidades de um ou outro lado da baía são sabedores do mau estado das almanjarras ronceiras que a atravessam, servindo aos passageiros que as demandam, por absoluta necessidade. 

Quando eles fazem tal sacrifício de vida, caso o possam, vão à mais próxima igreja e encomendam a sua alma a Deus. 

Houve mesmo “diários” delas que se quiseram cotizar, a fim de manterem capelães, nas respectivas pontes daqui e de Niterói, a fim de prestarem os serviços divinos de quem marcha certo para a morte. Este alvitre não pôde ser posto em prática, porque a diretoria da companhia viu em tenção tão piedosa um atentado aos seus soberanos direitos de mandar, desta para a melhor, os pobres mortais que se veem obrigados a embarcar nos seus carunchosos calhambeques, que não oferecem a simples segurança da mais humilde canoa de pesca. As tais barcas fazem água por todos os poros; elas adernam por dá cá aquela palha; elas levam uma eternidade daqui para lá e de lá para aqui – e isto com muito orgulho e prosápia. Andam assim como se fossem altaneiros couraçados ou velozes cruzadores. 

Não há embarcação miúda ou graúda, civil ou militar, que lhes leve as lampas em grandeza e galhardia de coisa importante que desafia os caprichos do mar. 

Certa vez, um desses calhambeques, cheio de orgulho e empáfia como os demais, teve o topete de sair barra fora, como se fosse gente. 

O oceano foi com ele generoso. Desprezou a sua arrogância, não o tragou, mas troçou-o a valer. Fê-lo andar à matroca, levantou-o no seu dorso como um pedaço de palha; enfim, debochou-o como quis. 

Afinal, cansado, depois de tê-lo feito embiocar em toda enseada e angra, saiu delas para meter-lhe susto com um encalhe, numa praia de ilha deserta, atirou com ele em Santos. 
São tais os perigos que correm os que navegam em tais barcas, como se está vendo, que os respectivos marinheiros resolveram muito precavidamente abandoná-las por prudência. 

Foi este e não outro o motivo da última grève nas barcas da Cantareira."

¹ Ao escrever grève, como no francês, o autor nos mostra que a palavra ainda não havia sido adotada pela língua portuguesa do Brasil na década de 20. 
² Texto disponível em http://www.letras.ufmg.br/site/e-livros/LimaBarretojan.pdf
³ Sinônimo de greve. 

quinta-feira, 5 de julho de 2018

UFMG realiza atividades do Dia Nacional da Ciência

Neste domingo (08/07), em que se comemoram o Dia Nacional da Ciência e o Dia Nacional do Pesquisador, a UFMG realiza, em parceria com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), uma série de atividades de divulgação científica. Gratuita e aberta ao público, a programação ocorrerá das 10h às 14h, no Espaço do Conhecimento UFMG, e no prédio Rainha da Sucata, ambos na Praça da Liberdade. 

Mais informações podem ser obtidas no site da Universidade: https://ufmg.br/comunicacao/noticias/ufmg-realiza-neste-domingo-atividades-do-dia-nacional-da-ciencia


Sistema de Aquaponia, que integra produção de peixes e plantas, é uma das atrações da mostra

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Biografia de Carolina de Jesus é lançada na FALE dia 08/06




"Em Carolina: uma biografia, o jornalista Tom Farias apresenta a complexa trajetória da escritora Carolina Maria de Jesus. Da infância pobre, na cidade de Sacramento, em Minas Gerais, passando pelas cidades em que peregrinou na juventude em busca de trabalho e de diagnóstico e cura para uma doença nas pernas, até sua chegada a São Paulo onde se instalou na favela do Canindé.

A biografia detalha não somente sua relação com os filhos e o momento de ascensão, devido ao sucesso editorial do livro Quarto de despejo, mas também, o declínio em razão do desinteresse do mercado editorial e dos leitores em relação às suas publicações posteriores, o que, acrescido da sua personalidade forte e das barreiras sociais e discriminatórias brasileiras, levou a escritora retornar à mesma condição de pobreza em que viveu boa parte da sua vida."

Fonte: https://www.editoramale.com/product-page/carolina-uma-biografia