PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO

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terça-feira, 10 de julho de 2018

09 de julho: Dia da Luta Operária

Operários em um campo de petróleo, de Sebastião Salgado

A data de 9 de julho representa um marco para a luta organizada da classe operária brasileira. Neste dia, há 101 anos, o operário de origem espanhola José Martinez, sapateiro anarquista e sindicalista, foi morto pela polícia aos 21 anos, na porta de uma fábrica no Brás, em SP.

A revolta com a morte do operário se espalhou por outras cidades e acabou deflagrando a greve geral de 1917, primeira paralisação de caráter nacional no país. Desde o ano passado, a data foi oficializada como Dia da Luta Operária (Lei 16.634/2017).

Abaixo você confere a crônica A grève¹ da Cantareira, de Lima Barreto (1921)²: 

"Nesse negócio de grève dos marinheiros da Cantareira, toda a gente viu anarquismo, sindicalismo anárquico e outras coisas apavorantes para a Sociedade, para o Estado, etc., etc.

Pode ser que uma tal explicação seja cabível para outra qualquer parede³ que se dê por aí; mas para aí; mas para tal companhia de tartarugas, vulgo barcas de Niterói, não. 

Os habitantes de ambas as cidades de um ou outro lado da baía são sabedores do mau estado das almanjarras ronceiras que a atravessam, servindo aos passageiros que as demandam, por absoluta necessidade. 

Quando eles fazem tal sacrifício de vida, caso o possam, vão à mais próxima igreja e encomendam a sua alma a Deus. 

Houve mesmo “diários” delas que se quiseram cotizar, a fim de manterem capelães, nas respectivas pontes daqui e de Niterói, a fim de prestarem os serviços divinos de quem marcha certo para a morte. Este alvitre não pôde ser posto em prática, porque a diretoria da companhia viu em tenção tão piedosa um atentado aos seus soberanos direitos de mandar, desta para a melhor, os pobres mortais que se veem obrigados a embarcar nos seus carunchosos calhambeques, que não oferecem a simples segurança da mais humilde canoa de pesca. As tais barcas fazem água por todos os poros; elas adernam por dá cá aquela palha; elas levam uma eternidade daqui para lá e de lá para aqui – e isto com muito orgulho e prosápia. Andam assim como se fossem altaneiros couraçados ou velozes cruzadores. 

Não há embarcação miúda ou graúda, civil ou militar, que lhes leve as lampas em grandeza e galhardia de coisa importante que desafia os caprichos do mar. 

Certa vez, um desses calhambeques, cheio de orgulho e empáfia como os demais, teve o topete de sair barra fora, como se fosse gente. 

O oceano foi com ele generoso. Desprezou a sua arrogância, não o tragou, mas troçou-o a valer. Fê-lo andar à matroca, levantou-o no seu dorso como um pedaço de palha; enfim, debochou-o como quis. 

Afinal, cansado, depois de tê-lo feito embiocar em toda enseada e angra, saiu delas para meter-lhe susto com um encalhe, numa praia de ilha deserta, atirou com ele em Santos. 
São tais os perigos que correm os que navegam em tais barcas, como se está vendo, que os respectivos marinheiros resolveram muito precavidamente abandoná-las por prudência. 

Foi este e não outro o motivo da última grève nas barcas da Cantareira."

¹ Ao escrever grève, como no francês, o autor nos mostra que a palavra ainda não havia sido adotada pela língua portuguesa do Brasil na década de 20. 
² Texto disponível em http://www.letras.ufmg.br/site/e-livros/LimaBarretojan.pdf
³ Sinônimo de greve. 

quinta-feira, 5 de julho de 2018

UFMG realiza atividades do Dia Nacional da Ciência

Neste domingo (08/07), em que se comemoram o Dia Nacional da Ciência e o Dia Nacional do Pesquisador, a UFMG realiza, em parceria com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), uma série de atividades de divulgação científica. Gratuita e aberta ao público, a programação ocorrerá das 10h às 14h, no Espaço do Conhecimento UFMG, e no prédio Rainha da Sucata, ambos na Praça da Liberdade. 

Mais informações podem ser obtidas no site da Universidade: https://ufmg.br/comunicacao/noticias/ufmg-realiza-neste-domingo-atividades-do-dia-nacional-da-ciencia


Sistema de Aquaponia, que integra produção de peixes e plantas, é uma das atrações da mostra

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Biografia de Carolina de Jesus é lançada na FALE dia 08/06




"Em Carolina: uma biografia, o jornalista Tom Farias apresenta a complexa trajetória da escritora Carolina Maria de Jesus. Da infância pobre, na cidade de Sacramento, em Minas Gerais, passando pelas cidades em que peregrinou na juventude em busca de trabalho e de diagnóstico e cura para uma doença nas pernas, até sua chegada a São Paulo onde se instalou na favela do Canindé.

A biografia detalha não somente sua relação com os filhos e o momento de ascensão, devido ao sucesso editorial do livro Quarto de despejo, mas também, o declínio em razão do desinteresse do mercado editorial e dos leitores em relação às suas publicações posteriores, o que, acrescido da sua personalidade forte e das barreiras sociais e discriminatórias brasileiras, levou a escritora retornar à mesma condição de pobreza em que viveu boa parte da sua vida."

Fonte: https://www.editoramale.com/product-page/carolina-uma-biografia

quarta-feira, 30 de maio de 2018

LinTrab participa do VII SITRE


No dia 28/05, o LinTrab ministrou minicurso no VII SITRE – Simpósio Internacional Trabalho, Relações de Trabalho, Educação e Identidade, realizado na FAE/UFMG. Os professores Antônio Augusto Moreira de Faria (foto), Denise dos Santos Gonçalves e Maria Juliana Soares estiveram com 30 participantes, com os quais conversaram sobre o trabalho do LinTrab desde a sua fundação, em 2009.
Foram apresentados aos presentes alguns conceitos norteadores para as pesquisas do grupo, entre eles o entendimento de que a linguagem e o trabalho são dimensões constitutivas da vida humana e que discursos materializam determinadas visões de mundo, muitas delas encontradas na relação capital x trabalho. O protagonismo e o silenciamento de trabalhadores em discursos - jornalísticos, literários, educacionais - foi outro tema em pauta na discussão.
Ao final do encontro, os participantes analisaram textos literários retirados das antologias produzidas pelo LinTrab (que podem ser acessadas aqui no blog), entre eles o poema que reproduzimos abaixo:

Da senzala... (Cruz e Sousa) De dentro da senzala escura e lamacenta Aonde o infeliz De lágrimas em fel, de ódio se alimenta Tornando meretriz A alma que ele tinha, ovante, imaculada Alegre e sem rancor, Porém que foi aos poucos sendo transformada Aos vivos do estertor... De dentro da senzala Aonde o crime é rei, e a dor – crânios abala Em ímpeto ferino; Não pode sair, não, Um homem de trabalho, um senso, uma razão... E sim um assassino!

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Racionais MC's figuram na lista de obras do vestibular Unicamp 2020

Racionais MC's (Divulgação)

“A Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest) está divulgando a lista de obras em língua portuguesa, cuja leitura é obrigatória para candidatos ao Vestibular Unicamp 2020. A lista mantém o mesmo número de 12 obras da anterior. 

A cada ano, a Unicamp renova parcialmente as obras que compõem a lista, para permitir o planejamento do professor e, ao mesmo tempo, acompanhar a dinâmica própria do sistema de ensino, cujo público se renova todos os anos. A lista para o Vestibular 2020 apresenta três obras novas em relação à anterior: Racionais Mc's (Sobrevivendo no inferno), Júlia Lopes de Almeida (A falência), Nelson Rodrigues (A cabra vadia).”.




quinta-feira, 10 de maio de 2018

Belo Horizonte recebe a 3ª edição do festival de cultura quilombola

Foto: Izabel Chumbinho

"Os 130 anos da abolição da escravatura no Brasil, celebrados em 2018, é tema da terceira edição do Canjerê – Festival de Cultura Quilombola de Minas Gerais, realizado entre os dias 11 e 13 de maio, na Praça da Liberdade e espaços culturais do Circuito Liberdade, em Belo Horizonte. Mais de 600 quilombolas de diversas comunidades do estado se reúnem na capital mineira com o objetivo de dar visibilidade à cultura tradicional e chamar a atenção para a luta dos quilombolas pelo direito à terra e à vida digna. O projeto vem ao encontro das políticas de salvaguarda do patrimônio imaterial e promoção do desenvolvimento agrário em Minas Gerais.


O Festival é realizado pela Federação das Comunidades Quilombolas de Minas Gerais -N’Golo com a parceria do Governo do Estado, por meio do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha-MG), correalizador do evento e da Cemig, patrocinadora. Tem o apoio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agrário (Seda-MG), da Prefeitura de Belo Horizonte, do Iphan e Fundação Palmares.
Neste ano, além das 60 barracas com artesanatos, culinária e produtos quilombolas montadas na Alameda da Educação, na Praça da Liberdade, das 10h às 22h, o Canjerê terá exibições de filmes quilombolas, apresentações culturais, oficinas, rodas de conversas, dentre outras atrações nos espaços do Circuito Liberdade."


sexta-feira, 4 de maio de 2018

Harvard presta homenagem à Marielle Franco


A universidade americana Harvard dedicou o simpósio “Afrodescendentes no Brasil: conquistas, desafios do presente e perspectivas para o futuro”, realizado entre os dias 26 e 27 de abril na cidade de Cambridge (Massachusetts), à memória de Marielle Franco. Na noite do dia 14 de março, a vereadora do PSOL e seu motorista Anderson Pedro Gomes foram abordados por um grupo de homens armados no Rio de Janeiro (RJ) e executados com 13 tiros.
A parlamentar iria participar como palestrante no evento, falando sobre sua trajetória política junto aos movimentos populares, em defesa das pautas feministas e de promoção das juventudes das periferias e das populações negras. Desde 2008, Marielle se tornou alvo do crime organizado por causa do seu trabalho ao lado do seu companheiro do PSOL e deputado estadual Marcelo Freixo durante a CPI das milícias que atuam na capital carioca.

“É uma tragédia em todos os sentidos”, disse o co-organizador do simpósio Sidney Chalhoub. “A morte de Marielle é um atraso para a luta dos afrodescendentes brasileiros por uma sociedade mais justa”, afirmou o pesquisador associado do Cecult e professor do departamento de História da Universidade Harvard.



sexta-feira, 13 de abril de 2018

IPHAN disponibiliza centenas de títulos sobre arquitetura, arte e patrimônio

O portal do Instituto do Patrimônio Artístico e Nacional (IPHAN) disponibiliza mais de 250 publicações sobre arquitetura, arte e patrimônio para download. Os artigos abordam patrimônio histórico, grandes obras de intervenção, política patrimonial, folclore e cultura popular, entre outros temas.
As buscas podem ser feitas em http://portal.iphan.gov.br/publicacoes/
Boa leitura!

sexta-feira, 23 de março de 2018

Leitura e interpretação do mundo: aprendizado e domínio da língua



“A rixa entre a fala espontânea e o uso normativo é tema recorrente na imprensa especializada em gramática e em educação. Quem trabalha com a língua portuguesa na escola e na universidade escuta com frequência comentários do tipo ‘o brasileiro não sabe falar português’, ‘os jovens não sabem falar corretamente’ e ‘a internet está matando a nossa língua’. Esse julgamento autocondenatório é constante em nosso imaginário sobre o uso que fazemos do idioma nacional. Há, porém, um ponto nevrálgico sobre linguagem e ensino sobre o qual não se fala muito e que merece mais atenção. Refiro-me à aquisição da língua materna, aos estudos sobre como as crianças aprendem a falar sua língua materna.

O tema merece reflexão e adianto que, diante do quadro simbólico e urbano do Brasil atual, as coisas não vão lá muito bem. Na minha opinião, a restrição comunicativa que ocorre no cotidiano de parte significativa das famílias brasileiras pode limitar a prática comunicativa infantil, dificultando a sua destreza linguística, o seu amadurecimento e o seu futuro desempenho escolar.

ESTÍMULO Antes de explicar o porquê dessa afirmação controversa, deixem-me falar um pouco sobre duas formas de entender como as crianças aprendem a língua materna. São duas visões opostas. Uma se chama gerativismo, a outra, interacionismo.  

O gerativismo é a linha teórica proposta por Noam Chomsky. Ela sustenta que as crianças nascem com dispositivos mentais prontos a serem ativados. É como se nascessem com um ‘órgão mental’ responsável pela linguagem pronto para funcionar. Quando escutam palavras e frases, mesmo se forem poucas e incompletas, as crianças ativam essa “gramática mental” e começam a gerar linguagem. Bastam assim alguns estímulos para ter início a produção de frases até então nunca ditas ou escutadas. Esse argumento é conhecido como ‘argumento da pobreza de estímulo’. É a premissa inatista que explica porque as crianças, mesmo muito novas, compreendem e produzem frases complexas. O gerativismo é uma proposta bem interessante. Tem muitos méritos. Entre eles, o gerativismo propõe novas perguntas sobre a linguagem e sua relação com a nossa mente.

Mas não convence a todos. Tem suas imperfeições. O gerativismo não considera a história comunicativa (e linguística) de cada criança. Não levar isso em conta é uma lacuna que carece ser preenchida.

Tem uma outra maneira de compreender como as crianças aprendem a falar que se chama interacionismo. Seus autores falam que o desenvolvimento do uso linguístico ocorre em etapas. Elas estão relacionadas com a idade das crianças, com o seu corpo, com o desenvolvimento de seu cérebro e com as conversas que têm com os adultos, especialmente com seus pais – com a história de cada um. A ideia é: a gente aprende a falar com as pessoas adultas com as quais a gente interage.

Michael Tomasello é um dos defensores dessa proposta. Em seus artigos sobre o tema, ele ecoa o conceito de ‘atenção compartilhada’ formulado por Jerome Bruner nos anos 1970. Os dois dizem que a gente amadurece o uso da nossa língua materna durante os diálogos que temos com nossos pais. A habilidade linguística infantil é muito influenciada pela fala dos adultos com quem as crianças interagem. Elas têm ‘vontade de fazer igual à pessoa de referência’, relata Aliyah Morgenstern, especialista em linguagem infantil.” (continua)